Engenharia de Produção :::
 
 
RESUMO DO PROJETO PEDAGÓGICO
 

1. DIRETRIZES GERAIS
Para a consecução dos objetivos estabelecidos e a formação de profissionais com o perfil adequado, ações devem ser definidas. Esta etapa corresponde à determinação de o que fazer e como fazer para implantar o Projeto Pedagógico. Os meios que se dispõe para isso são o rol de disciplinas, o método de ensino e as atividades de formação complementar, tudo isso consubstanciando-se no currículo do curso.
Para a realização das ações para que se cumpra os objetivos do Projeto Pedagógico, deve-se criar um suporte operacional que permita realizar essas ações e avaliar seus resultados, visando corrigir possíveis desvios observados entre os meios e os fins do Projeto Pedagógico. Compõem este suporte operacional, a organização do curso, a implantação das medidas necessárias e o acompanhamento das ações desenvolvidas.

2. Objetivos e Metas
O Brasil enfrenta o grande desafio de emergir de vez como uma nação desenvolvida e justa. Para tanto, é necessário o aprimoramento dos setores produtivos, os quais necessitam adquirir ganhos expressivos de qualidade e produtividade, sem contudo perder a visão dos aspectos sociais que envolvem as organizações. Assim sendo, o objetivo geral do curso de Engenharia de Produção Mecânica da UNESP, Campus de Guaratinguetá, é fornecer à sociedade cidadãos com formação, não apenas técnica, mas também política, ética e cultural. Enfim, o curso visa a formação de um Engenheiro de Produção preparado para desenvolver seu papel de agente transformador da sociedade, uma vez que assumirá, dadas suas condições profissionais, posição de liderança junto à comunidade. Os objetivos específicos do Projeto Pedagógico são apresentados nos parágrafos a seguir.
O caráter interdisciplinar da Engenharia de Produção propicia um enorme leque de funções ao profissional que se estende a inúmeros postos de trabalho, quer seja na empresa de transformação ou na de serviços. Entende-se, porém, que a formação profissional deva concentrar-se num campo de atuação mais específico, e o atual estágio de desenvolvimento do país determina uma especial necessidade pelo engenheiro de produção com características voltada à empresa manufatureira. Daí resulta que a opção de fundamentar a habilitação Produção na área da Engenharia Mecânica deve-se ao objetivo específico de formar um profissional para atuar principalmente na indústria manufatureira. Dentro da habilitação Produção-Mecânica, subentende uma forte base tecnológica na área de Engenharia Mecânica e uma sólida formação nas técnicas e nos métodos de abordagem de problemas da Engenharia de Produção, com o objetivo de realizar pesquisas, desenvolver projetos de sistemas abstratos e planejar e organizar a aplicação dos recursos da empresa. Estas características serão fundamentadas no profissional através de uma forte ênfase curricular em disciplinas de base tecnológica e em outras voltadas ao desenvolvimento intelectual e cultural do estudante e à abordagem de problemas complexos.
O aluno deve sentir-se um estudante de Engenharia de Produção desde o início do curso de forma a estar motivado para a aprendizagem da profissão. Assim, o currículo apresenta disciplinas profissionalizantes desde o seu início.
O engajamento do aluno à realidade profissional é indispensável para a formação em Engenharia de Produção. Os verdadeiros laboratórios deste curso são as próprias empresas, especialmente as indústrias. Deve-se portanto estabelecer uma parceria com o segmento empresarial para bem formar os novos profissionais. Assim sendo, deve-se evidenciar a prática profissional no ensino, expondo o aluno a situações típicas da atuação do Engenheiro de Produção ao longo de todo o curso.
O Engenheiro de Produção deve ainda trazer consigo sempre aceso o espírito de pesquisa e o senso empreendedor para que conduza com perseverança, obstinação e criatividade o processo de busca de soluções para problemas novos. Estas características deverão se impregnadas no estudante através de uma postura pedagógica que privilegie o ato de aprender e não o de ensinar.
Adicionalmente, é indispensável que ele assuma a iniciativa de auto-conduzir seu necessário contínuo processo de atualização e aprimoramento profissional.
O Engenheiro de Produção deve ainda possuir boa capacidade de comunicação nas formas gráfica (desenho), escrita e oral, visto que, esse profissional utiliza constantemente essas formas de expressão para apresentar e justificar seus projetos.
Por fim, o Engenheiro de Produção, pela sua importância e influência que exerce na sociedade, deve possuir uma formação não apenas técnica, mas também humana para que possa exercer de fato sua cidadania , transmitindo bons exemplos de comportamento ético, político e social a essa mesma sociedade que o acolherá. Assim, é necessário criar condições , no seu convívio universitário, para que ele se desenvolva também como cidadão.
Pelo exposto, os objetivos específicos do Projeto Pedagógico para o curso de graduação em Engenharia de Produção Mecânica da UNESP, Campus de Guaratinguetá, podem ser sintetizados conforme segue:

  • formar engenheiros com habilitação em Produção, vinculada à área de Engenharia Mecânica;
  • motivar o estudante para a aprendizagem da Engenharia de Produção desde o início do curso;
  • evidenciar a prática profissional no ensino, expondo o aluno a situações típicas da atuação do engenheiro de produção ao longo de todo o curso;
  • imprimir no aluno o espírito de busca e desenvolver a capacidade criativa e o senso empreendedor do estudante para habilitá-lo a lidar com problemas novos;
  • desenvolver no aluno a iniciativa para auto-conduzir seu processo de atualização e aprimoramento profissionais;
  • desenvolver no estudante sua capacidade de comunicação nas formas gráfica (desenho), escrita e oral expressão; e
  • contribuir na formação ética, política e cultural do aluno, para que ele se desenvolva também como cidadão.

Para acompanhar a consecução dos objetivos o Conselho de Curso estabelece um conjunto de metas que procuram quantificar os objetivos acima definidos. Na Tabela 2 são apresentadas as metas estabelecidas para o período 1999-2000, as quais podem ser comparadas aos resultados realmente alcançados em 1998.

3. Perfil do Egresso
Embora seja o setor de serviços aquele que atualmente mais contribui na formação do PIB das nações desenvolvidas e continue a desenhar uma trajetória de constante crescimento, é, na verdade, através da capacitação do setor industrial que uma nação poderá alcançar um elevado nível de desenvolvimento econômico. Basta lembrar que a maioria dos desenvolvimentos tecnológicos deste século sempre esteve atrelada ao setor industrial. Além disso, é incontestável que uma nação não pode ser verdadeiramente desenvolvida sem que o seja seu setor industrial.
Assim, o estágio de desenvolvimento do país determina uma especial necessidade pelo Engenheiro de Produção com o perfil voltado à empresa manufatureira. Daí resulta que a opção de fundamentar a habilitação Produção na área da Engenharia Mecânica deve-se ao objetivo de fornecer à sociedade um profissional para atuar principalmente na indústria manufatureira, com domínio das atividades de "chão de fábrica".

As principais funções do engenheiro de produção podem ser sintetizadas como segue:

a) planejamento e organização da produção;
b) projeto de sistemas de informação; e
c) gerência da produção.

Essas funções praticamente se identificam com as especializações profissionais do engenheiro a ser formado. Assim, o currículo deve ser desenvolvido de forma a habilitar o estudante em qualquer dessas funções.
As funções de planejamento e organização da produção cuidam do projeto do produto e da fábrica, considerando os processos produtivos. Tipos de equipamentos são definidos, o lay-out da fábrica é desenhado, os métodos de trabalho são estabelecidos, a estrutura administrativa da empresa é projetada e as equipes de trabalho são dimensionadas. Busca-se a melhor solução para a empresa, para a sociedade e para o ser humano, em termos de qualidade e produtividade.
O projeto de sistemas de informação tem por objetivo coletar e processar dados afim de que todas as pessoas que trabalham na empresa disponham das informações necessárias para bem desenvolver suas tarefas. Esses sistemas de informação devem ser projetados de forma lógica e racional, fazendo com que as informações sejam corretas e cheguem na pessoa certa, no momento certo e na forma adequada de apresentação. O projeto de sistemas de informação é tarefa fundamental da atividade do engenheiro de produção e necessária a qualquer tipo de organização, donde decorre a possibilidade deste profissional atuar em quase todos os ramos de atividades.
A gerência da produção busca garantir e, sempre que possível, melhorar a qualidade e aumentar a produtividade. Para tanto, é necessário tomar decisões, comandar, dirigir e controlar a execução das tarefas. Estas funções diferem bastante das outras no que diz respeito a forma de atuação do profissional. Enquanto as primeiras são atividades desenvolvidas principalmente através de estudo e pesquisa, esta última é uma atividade eminentemente de ação. Portanto, o Engenheiro de Produção deve ser também um homem de ação, que possua liderança e saiba como lidar com pessoas.
O currículo do curso foi desenvolvido de forma a habilitar o futuro Engenheiro de Produção a trabalhar em qualquer uma das funções acima descrita. O nosso Engenheiro de Produção deve ainda trazer consigo sempre aceso o espírito de pesquisa, para dominar e desenvolver novas tecnologias, e o senso empreendedor para que conduza com perseverança, obstinação e criatividade o processo de busca de soluções para problemas novos. O egresso deve possuir uma sólida formação ética e humanística, que o habilite a uma atuação crítica, considerando os aspectos sociais, econômicos, políticos e ambientais. Adicionalmente, é indispensável que ele assuma a iniciativa de auto-conduzir seu contínuo processo de atualização e aprimoramento profissional. Estas características são impregnadas no estudante através da postura pedagógica do nosso curso de Engenharia de Produção que privilegia o ato de aprender e não o de ensinar.
A despeito deste perfil, deve-se cuidar para que o Engenheiro de Produção egresso da UNESP, Campus de Guaratinguetá, adquira também uma formação generalística que lhe permita atuar em outros campos da atividade econômica, como por exemplo nas empresas de serviços e órgãos governamentais. Isto pode ser alcançado pela decorrência natural do forte caráter interdisciplinar das matérias abordadas num curso de Engenharia de Produção. Porém, como é desejável que se dê uma identidade ao profissional egresso da universidade, optou-se em concentrar sua formação nas atividades de manufatura, devido ao atual estágio de desenvolvimento industrial do país e pelas características da economia regional.
Para desenvolver adequadamente as funções anteriormente enumeradas é necessário que o estudante adquira conhecimentos sólidos acerca de tecnologia de processo, que adquira uma formação generalista e que possua uma visão sistêmica do papel que cada um dos segmentos da empresa deve desempenhar na consecução dos objetivos da organização. Adicionalmente, é importante que o engenheiro conheça com profundidade as técnicas da Engenharia de Produção e traga consigo a consciência sobre sua forma de atuação frente aos problemas da sua área, os quais, na sua maioria, possuem forte caráter sistêmico e devem, portanto, ser tratados através de um contínuo processo de melhoria, gerando-se sempre diversas alternativas para a tomada de decisão.
A despeito da opção direcionada à indústria manufatureira, o currículo do curso deve ser desenvolvido de forma a permitir a futura introdução de outras vocações da área de Engenharia de Produção, como por exemplo aquelas voltadas à empresas de serviços e órgãos governamentais. O currículo deve ser suficientemente flexível para acomodar essas outras modalidades do campo da Engenharia de Produção que futuramente poderão ser introduzidas no curso da UNESP, Campus de Guaratinguetá.
4. Efeito dos Objetivos e do Perfil do Egresso na Grade Curricular
A grade curricular é estruturada contemplando as matérias de formação profissional geral da área de Mecânica, conforme estabelecida pela Resolução 10/77 do Conselho Federal de Educação, dando especial ênfase à matéria Processos de Fabricação, de forma a bem familiarizar o estudante com todos os principais tipos de processos de manufatura e as tecnologias utilizadas.
A opção pela engenharia de concepção é alcançada através da introdução de uma carga adequada em disciplinas que contemplem o exercício intelectual para abordar problemas complexos. Dentre elas destacam-se a Estatística, a Pesquisa Operacional, a Modelagem de Sistemas, a Teoria Geral dos Sistemas, Sistemas de Informação, o Trabalho de Formatura e outras relacionadas com projeto de sistemas de informações. A atividade de projeto de sistemas contribui fortemente para a caracterização da engenharia de concepção dentro da habilitação em Produção, e o currículo deve portanto conter disciplinas identificadas com esta atividade.
A motivação para a aprendizagem da Engenharia de Produção deve ser alcançada, via grade currícular, através da introdução de disciplinas profissionalizantes ao longo de todo o curso e adequadamente dosadas. Neste sentido, é fundamental oferecer aos alunos iniciantes a disciplina Introdução a Engenharia de Produção para mostrar não apenas os diversos campos de atuação profissional e o papel da Engenharia de Produção no conjunto das demais habilitações e no desenvolvimento industrial do país, mas também para apresentar os tipos de problemas que são resolvidos pelo engenheiro de produção, assim como as técnicas que esse profissional utiliza.
Diversas disciplinas, como por exemplo, Modelagem de Sistemas, Engenharia Econômica, Estudo do Trabalho, possuem um forte caráter motivacional e devem, portanto, ser utilizadas para aproximar o estudante da sua profissão. Disciplinas desse gênero são ainda propícias para desenvolver no aluno o espírito de busca e a capacidade criativa, pois permitem explorar muito bem as fases de reconhecimento, definição e formulação de problemas.
As disciplinas básicas devem apresentar sempre algum vínculo com a Engenharia de Produção mostrado através de exemplos de aplicação, o que pode ser efetivado com a colaboração dos professores do ciclo profissional. O Conselho de Curso deve interagir com os decentes com o objetivo de promover a simbiose do ensino básico com o profissional.
As disciplinas, cujo conteúdo permitir, devem ser acompanhadas de trabalhos práticos extraídos de situações reais fazendo com que o aluno se mantenha como que em estágio permanente dentro da empresa. Isto, além de expô-lo à situações típicas da atuação profissional ao longo de todo o curso, promove o desenvolvimento de seu senso empreendedor, característica importante para habilitá-lo a lidar com problemas novos. Para tanto, é necessário que a Escola mantenha uma bolsa de empresas que estejam dispostas a receber os alunos do curso de Engenharia de Produção para que estes desenvolvam seus trabalhos práticos das diversas disciplinas.
Para implementar este estilo de ensino prático-teórico é necessário reservar tempo suficiente para que os estudantes desenvolvam adequadamente seus trabalhos extra-classe. Assim, a carga horária e a grade curricular do curso devem ser desenvolvidas de forma racional. Disciplinas teóricas e práticas que tratam da mesma matéria devem estar unificadas e os ensinos teórico e prático devem ser indissociáveis, com os tópicos da matéria ministrados paralelamente, de forma que a prática seja, sobretudo, um reforço do ensino teórico, principalmente quando se tratar de aulas de laboratório.
O currículo deve contemplar, no final do curso, atividades de estágio , o qual deverá ter caráter eminentemente acadêmico, com o objetivo de proporcionar material para que o aluno desenvolva seu trabalho de formatura. Este, deve expor de fato o aluno a situações típicas da atuação profissional do engenheiro de produção, fazendo com que ele, individualmente, produza um trabalho de nível profissional. A empresa poderá definir o tema do trabalho a ser desenvolvido, cabendo à Escola estabelecer o tempo de permanência do aluno na empresa. Este trabalho será defendido no final do curso perante uma banca constituída de professores e profissionais da área de Engenharia de Produção. A Escola deverá se responsabilizar pela captação de estágios junto às empresas.
Deve ser criada a disciplina Trabalho de Formatura a ser vinculada às atividades de estágio de final de curso. O professor desta disciplina auxiliará os alunos na definição dos trabalhos , coordenará a escolha dos orientadores e a apresentação de seminários. O objetivo dessa disciplina é controlar o cronograma de desenvolvimento dos projetos individuais, promover a troca de experiência obtida no estágio entre os alunos , ensinar o estudante a preparar propostas de prestação de serviços e relatórios técnicos, e padronizar a forma de apresentação dos trabalhos de formatura. No quinto ano, a carga didática deverá ser adequada de forma a permitir que o aluno se dedique de forma intensa ao seu projeto de formatura.
A formação ética, social e cultural do estudante deve ser obtida, via grade curricular, através da introdução de disciplinas apropriadas a esse fim. História da Ciência, História Econômica Geral, Engenharia de Produção e Sociedade, Administração Geral, Psicologia e Direito são disciplinas que permitem a consecução deste objetivo e devem incluir nos seus programas ética profissional, organização do Estado, políticas de desenvolvimento econômico e tópicos de sociologia, psicologia e direitos e deveres do cidadão.
5. Efeito dos Objetivos e do Perfil do Egresso no método de ensino
O método de ensino a se adotar é de fundamental importância para que o futuro engenheiro possa vencer os desafios profissionais que a realidade lhe exigirá.
A rápida evolução de conhecimento que se processa no mundo contemporâneo e a diversidade de situações a que estará submetido o engenheiro de produção exigem uma mudança radical na forma tradicional de ensinar, fortemente baseada na apresentação de técnicas voltadas a solução de problemas bem delineados e fartamente explorados.
Hoje, e no futuro cada vez mais, o profissional se defrontará com situações novas e com a necessidade de adquirir novos conhecimentos. Assim é que a postura didática deverá estar voltada para desenvolver no estudante o espírito de busca, a criatividade e o senso empreendedor para capacitá-lo a enfrentar e solucionar problemas novos, e ainda para que ele assuma a condução do seu processo de permanente atualização e aprimoramento profissionais .
Para que esses objetivos sejam alcançados é necessário que a forma de apresentar a matéria enfatize o trabalho do aluno voltado à pesquisa do conhecimento. É necessário alterar a tradicional postura paternalista do professor que o leva a dissecar a matéria no quadro acarretando uma atitude passiva do aluno durante o processo de ensino-aprendizagem. O método didático deve portanto enfatizar o aprender e não o ensinar.
Essa postura didática não implica na superficialização do conhecimento técnico. Apenas que, durante as aulas, o professor deve apresentar a matéria sem explorar exaustivamente todas as suas minúcias, enquanto seu aprofundamento será feito pelo próprio aluno, através de atividades extra-classe que devem ser orientadas e acompanhadas pelo professor. Deve, no entanto, cuidar para que a dificuldade imposta ao aluno seja adequadamente dosada, para que ela promova não somente a alavancagem do seu desenvolvimento intelectual, mas que funcione principalmente como elemento motivador da aprendizagem. Deve-se lembrar sempre que a dificuldade intransponível é altamente desmotivadora.
Os trabalhos práticos de disciplinas são bastante propícios para a implementação desta forma de ensino e devem ser explorados também neste sentido.
A capacidade e a iniciativa do aluno em auto conduzir seu processo de atualização e aperfeiçoamento profissionais deve ser desenvolvida dentro das disciplinas através, por exemplo, da adoção de um programa de leitura complementar de forma a criar no estudante o hábito da leitura e desenvolver sua capacidade de auto-aprendizagem. Jornais apropriados, assim como revistas, livros, vídeos e outros recursos devem ser utilizados nesta tarefa, principalmente nas disciplinas profissionalizantes.
A postura do docente pode colaborar fortemente para a formação ética do estudante. O exemplo é tido com uma das mais eficazes forma de educação. Assim, o professor deve agir sempre de forma correta, julgar seus alunos com eqüidade, mostrar coerência nas suas atitudes, estabelecer contratos claros e objetivos com seus alunos para a condução de sua disciplina e enaltecer os exemplos de conduta ética demonstrados por profissionais e cientistas vinculados a sua área de atuação.
6. Atividades de Formação Complementar
Para melhor alcançar os objetivos do Projeto Pedagógico, apresentados na seção 2.2, é necessário propiciar ao aluno atividades que vão além daquelas vinculadas ao ensino propriamente dito, as quais serão designadas por atividades de formação complementar, listadas a seguir:

a. Implantar o Programa Especial de Treinamento (PET) da CAPES.
A proposta da implantação do PET-Produção foi encaminhada à CAPES, não obstante ter sido considerada boa, por falta de recursos a CAPES decidiu não implantar nenhum novo PET. Por essa razão, estimulou-se a criação do Núcleo de Estudos e Projetos de Engenharia de Produção (NEPEP), nos moldes do PET.
b. Incentivar os alunos a se engajarem em atividades se pesquisa através do programa de Iniciação Científica.
c. Incentivar os alunos a participarem de associações científicas.
Por exemplo, a Associação Brasileira de Engenharia de Produção - ABEPRO.
d. Incentivar a participação dos alunos em eventos técnico/científicos.
Por exemplo, o Encontro Nacional de Engenharia de Produção - ENEGEP, congressos de iniciação científica, etc.
e. Promover palestras e cursos de atualização.
Para manter os alunos atualizados sobre os novos rumos da profissão e sobre os temas da atualidade brasileira e mundial;
f. Propiciar condições para que os alunos promovam e participem de atividades culturais, tanto dentro como fora do Campus.
g. Incentivar a participação do aluno no processo político, tanto da nação, como da Universidade e do próprio Campus.
h. Implantar um programa de formação cultural.

Através de ciclos de palestras, cursos de aperfeiçoamento, jornais internos, para que os alunos possam conhecer a realidade social e política do Brasil e do mundo, possibilitando, por exemplo, compreender as influências que os países industrializados exercem sobre as nações em desenvolvimento.
Estas atividades extra-classe devem ser todas conduzidas pelo Conselho de Curso com apoio da Direção do Campus.

7. Organização do Curso e do Currículo.
O curso de Engenharia de Produção Mecânica da UNESP, Campus de Guaratinguetá, tem duração de cinco anos e a grade currícular é estruturada através de disciplinas obrigatórias e optativas, cuja duração poderá ser anual ou semestral. Em todos os semestres o aluno deve cursar disciplinas relacionadas às área de atuação do engenheiro de produção.
As disciplinas optativas têm por objetivo fornecer informações sobre a aplicação da Engenharia de Produção em outras áreas de atividades além daquela que norteia a opção do curso, ou ainda, aprofundar conhecimentos específicos de outras disciplinas. Ao optar por uma disciplina optativa ela deve assumir caráter de obrigatória para o aluno.
Nas duas primeiras séries é fornecida uma sólida aprendizagem nas matérias de formação básica, introduzindo-se já nessas séries conhecimentos acerca da Engenharia de Produção. A terceira e a quarta séries mesclam disciplinas voltadas ao ensino dos princípios da Engenharia Mecânica e da Habilitação Produção. A quinta série deve conter fundamentalmente as disciplinas de formação específica em Engenharia de Produção, as quais devem estar em consonância com a vocação do curso, definido como aquela voltada à indústria manufatureira. Caso decida-se, futuramente, implantar outras vocações no curso de Engenharia de Produção Mecânica da UNESP, Campus de Guaratinguetá, estas deverão ser feitas através de conjuntos paralelos de disciplinas alocadas no quinto ano, quando então o estudante poderá, no final do curso, optar pelo conjunto que determina aquela vocação profissional de sua escolha. Esta organização da grade curricular fornece a adequada flexibilidade à criação de novas vertentes da Engenharia de Produção.
As exigências didáticas devem-se basear no princípio de que o aluno do curso de Engenharia de Produção é um estudante de tempo integral.
O tempo total dedicado às aulas será de, no máximo, 30 horas semanais, nos períodos matutino e vespertino, e o horário escolar deve ser elaborado de forma racional, utilizando todos os horários de um mesmo período do dia. As aulas teóricas devem, preferencialmente, ocupar o período matutino.
A especificação da carga total da disciplina contem três dígitos, sendo os dois primeiros, relativos ao número de aulas semanais teóricas e práticas, respectivamente, e o terceiro, relativo à dedicação necessária para desenvolver trabalhos fora da sala de aula. Adicionalmente a esta carga, deve-se considerar que o aluno dedicará, em média, uma hora de estudo individual para cada hora de aula teórica; assim, o primeiro dígito terá peso dois na determinação da carga total semanal de trabalho do estudante, a qual deverá se situar em torno de 55 horas, em média. O professor deve, portanto, dosar a quantidade de tarefas exigidas do aluno para que ele possa bem desenvolver seus trabalhos através de uma dedicação semanal não superior a esse valor especificado.
É recomendável que, até o terceiro ano, o aluno permaneça no Campus durante os dois períodos do dia para que sua aprendizagem se faça acompanhada da presença de docentes e monitores disponíveis para suas consultas. Deverão ser providenciados ambientes de estudo e de convivência adequados à permanência dos alunos na Escola.
Os estudantes de uma mesma série do curso de Engenharia de Produção devem ser mantidos em turma única, sempre que a quantidade de alunos assim permitir. As disciplinas com turmas divididas devem possuir plano de ensino idênticos (conteúdo programático, plano de aulas, critério de avaliação, plano de recuperação).
Na medida da disponibilidade de recursos, mesmo nas disciplinas de formação básica e geral, devem ser criadas turmas específicas para os alunos do curso de Engenharia de Produção, principalmente naquelas disciplinas cujo conteúdo justifique a adoção de um enfoque específico direcionado ao ensino da profissão.
O encadeamento da matéria dentro de uma disciplina e entre disciplinas deverá ser feito de forma a respeitar rigorosamente os requisitos para se obter uma perfeita integração horizontal e vertical entre as disciplinas. Alterações na tradicional seqüência de apresentação da matéria deverão ser estudadas com o objetivo de aproximar os ensinos básico e profissionalizante, eliminando o hiato de tempo entre ambos e tornando mais objetivo o ensino das matérias básicas. O programa das disciplinas básicas, tais como aquelas que contemplam as matérias de Física e Química, deve ser reestruturado objetivando uma maior ligação com a engenharia através da abordagem de temas práticos e de interesse da profissão.

8. Implantação e Acompanhamento do Projeto Pedagógico
Para possibilitar a implantação do Projeto Pedagógico é necessário que se obtenha o comprometimento do corpo docente com seus objetivos, diretrizes e princípios. É necessário ainda manter o corpo docente aprimorado nas áreas profissional e pedagógica e a Escola com bons recursos didáticos. Para fazer o acompanhamento do Projeto Pedagógico é necessário criar um sistema de informação que possa controlar a prática de ensino em cada disciplina de forma a mantê-la sempre bem articulada com os objetivos, diretrizes e princípios dessa proposta pedagógica.
O comprometimento do corpo docente com o Projeto Pedagógico deve ser obtido através de uma ampla divulgação do seu conteúdo nos Departamentos, buscando a participação dos professores no que se refere principalmente à determinação da conduta pedagógica mais adequada para alcançar os objetivos nele contidos. O Projeto Pedagógico aqui apresentado contém explicitamente seus objetivos e o que fazer para alcançá-los. No entanto, com respeito a vários dos objetivos foi, deliberadamente, omitido o como fazer, para que este aspecto seja amplamente discutido com os docentes. Esse processo de discussão deve ser feito periodicamente e sempre baseado nas experiências adquiridas. Para tanto, é necessário organizar o processo de discussão, municiá-lo com informações acerca dos resultados das propostas implementadas até a data presente, e sistematizar, através de documentos, as decisões extraídas das discussões. Além disso, é importante atualizar o Manual de Responsabilidades (Anexo 1), onde esta descrito o quê compete a cada um dos agentes envolvidos: aluno, professor, Departamento, Conselho de Curso e Direção da Escola.
Manter o corpo docente aprimorado nas áreas profissional e pedagógica é indispensável para implementar o método de ensino proposto. O Campus possui atualmente um corpo docente com boa formação acadêmica (ver Tabela 15) e com experiência profissional que deve continuar sendo fortalecida, assim como seus conhecimentos acerca de métodos e técnicas de Pedagogia. A Escola deve manter as condições necessárias para que o professor desenvolva atividades profissionais junto às empresas, fazendo com que o docente, além de boa formação acadêmica, aprimore seu conhecimento prático sobre aquilo que está ensinando. O processo de seleção para contratação de novos professores deve priorizar a capacidade didática e a experiência profissional dos candidatos e a renovação do corpo docente deve ser feita de forma suave. É importante registrar que reside na excelência do corpo docente o fator chave para alcançar com sucesso os objetivos deste Projeto Pedagógico.
A manutenção de recursos didáticos de qualidade são elementos motivadores tanto para o professor como para os alunos e podem auxiliam muito na transmissão do conhecimento. Salas de aula confortáveis, bem equipadas com aparelhos audiovisuais, com controle da iluminação, de ruído e da temperatura são indispensáveis. Devem ainda ser mantidos, e na medida do possível ampliados, os locais de estudo, assim como os recursos computacionais e o acervo bibliográfico.
O acompanhamento do Projeto Pedagógico deve ser operacionalizado através da implantação de sistemas de controle. É necessário implantar um programa de acompanhamento pedagógico que possibilite ao docente planejar suas atividades de ensino, que seja ainda um veículo de divulgação aos alunos de tudo aquilo que lhe interesse a respeitos da disciplina, funcionando como um contrato de trabalho para a condução da disciplina, e que , por fim, forneça os elementos necessários para o Conselho de Curso atuar no sentido de manter as atividades desenvolvidas dentro de cada disciplina sempre em consonância com os objetivos da proposta pedagógica do curso.
Para estimular e valorizar as atividades estudantis, o Conselho de Curso implantou um sistema de premiação, recompensando não apenas o rendimento escolar do aluno, mas também sua participação nas demais atividades propostas no Projeto Pedagógico, tais como, pesquisa, estágios e atividades de formação complementar. Este sistema contempla um elenco amplo de prêmios para que o estudante sinta-se continuamente estimulado ao longo de todo o curso. Evidentemente, para operacionalizar o sistema de premiação foi necessário, antes, implantar um sistema de acompanhamento da vida acadêmica do corpo discente, cujos resultados podem ainda ser utilizados para a acumulação de dados históricos a respeitos de vários índices estatísticos de interesse da Escola, como por exemplo evasão, índices de retenção em disciplinas, etc.

9. Avaliação do Aprendizado e Regimes de Aprovação e de Matrícula.
A avaliação do aprendizado dos alunos e o correspondente regime de aprovação serão baseados nas seguintes notas relativas a cada disciplina:

1. nota de aproveitamento, calculada pela média ponderada das notas de provas, exercícios e trabalhos práticos realizados ao longo do período letivo, de acordo com critérios propostos pelos Departamentos e aprovados pelo Conselho de Curso;
2. nota de exame final, obtida no exame final a ser aplicado após o término do período letivo;
3. nota do exame de segunda época, para os alunos que não conseguirem aprovação após a aplicação do exame final; e
4. nota final de disciplina, obtida pela composição entre a nota de aproveitamento com a nota do exame final ou com a nota do exame de segunda época, para os alunos que se submeterem a estes exames. Nesta composição, a nota de aproveitamento deverá ser valorizada através da atribuição de um peso maior.

Na avaliação do aprendizado será, portanto, incluído o exame final com objetivos pedagógicos bem definidos, quais sejam:

a. avaliar o estudante no contexto global da matéria contida na disciplina;
b. promover a oportunidade do aluno reestudar os principais tópicos da matéria, agora com uma visão de conjunto dos mesmos, o que promove um grande crescimento no nível de aprendizagem;
c. fortalecer no aluno a visão global da matéria e a compreensão do encadeamento dos conceitos nela contidos;e
d. permitir uma avaliação mais segura sobre o nível de aproveitamento do aluno.

Para que esses objetivos sejam alcançados, a prova final deve ser muito bem elaborada pelo docente, enfocando apenas os tópicos fundamentais da matéria e evitando suas minúcias. O volume de matéria a ser cobrado na prova final deve ser definido de forma a não desestimular o aluno e os tópicos para o exame devem ser divulgados logo no início do período letivo.
Somente poderá se submeter ao exame final o aluno que obtiver nota de aproveitamento maior ou igual a três. Caso contrário, deverá realizar o exame de segunda época.
A seu critério, o aluno poderá não se submeter ao exame final e será considerado aprovado se obtiver nota de aproveitamento maior ou igual a sete. Nestas condições, sua nota final de disciplina será igual a nota de aproveitamento.
Será considerado aprovado o aluno que obtiver nota de exame final maior ou igual a três e, simultaneamente, nota final de disciplina maior ou igual a cinco. Caso contrário, ele deverá se submeter ao exame de segunda época.
O aluno que se submeter ao exame de segunda época terá direito a um período de recuperação cujo programa será encaminhado pelo Departamento e aprovado pelo Conselho de Curso.
O desempenho didático e o processo de aprendizagem do aluno deverão ser cobrados sistematicamente e com rigor e, especial orientação deve ser dada àqueles alunos com baixo rendimento para que sua recuperação se dê durante o próprio período letivo, fazendo com que a reprovação no curso de Engenharia de Produção Mecânica da UNESP, Campus de Guaratinguetá, se constitua numa exceção.
A matrícula será feita no início de cada ano letivo, para todas as disciplinas daquele ano, tanto para as de duração anual como para as de duração semestral, configurando-se, assim, o regime seriado de matrícula no curso.
O aluno, poderá ser promovido para a série seguinte mesmo sem ter sido aprovado em todas as disciplinas da série em curso, sendo obrigado a cursar, em regime de dependência, aquelas disciplinas nas quais foi reprovado. A quantidade de disciplinas que poderá cursar em regime de dependência deverá ser definida em consonância com o Regimento Geral da UNESP. O aluno terá direito ao regime de dependência se, ao cursar a disciplina pela primeira vez, obtiver nota de disciplina maior igual a três e freqüência mínima de 70% nas aulas. Durante o curso, o aluno só poderá estar matriculado em disciplinas de, no máximo, dois anos consecutivos. O aluno retido numa série deverá, no período letivo subsequente, matricular-se somente nas disciplinas reprovadas, devendo cursá-las normalmente.

Projeto Pedagógico da Reestruturação - a partir de 2008

 

 

 

       
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